sexta-feira, 14 de setembro de 2012


Conselhos e Lembranças





Santa Teresinha do Menino Jesus
Conselhos e Lembranças
Recolhidos por “Celina”
Irmã Genoveva da Santa Face
Irmã e Noviça de Santa Teresa do Menino Jesus
Edição Paulina – 1987 – 3ª Edição – 191 págs.






“Não ir ao purgatório”


Logo depois de minha entrada no Carmelo, pedi para ler a história dos Padres do deserto. Tomei algumas notas dentre as quais esta tocou a tal ponto minha querida Irmãzinha que sentiu não a ter introduzido em sua autobiografia e recomendou com insistência que a acrescentassem:
‘Uma pecadora chamada Paésia, desolava a região em que habitava por seus escândalos. Um padre do deserto, João Le Nain, foi procurá-la e exortando-a à penitência, ela lhe perguntou: Meu Pai, há ainda uma penitência para mim? – Sim, disse o santo, eu vos asseguro. – Conduzi-me, pois, aonde achardes bom para isso, replicou.
Logo, levantando-se, seguiu-o sem avisar em sua casa, nem mesmo dizer uma palavra a ninguém.
Tendo entrado no deserto e como a noite se aproximasse, João fez um monte de areia como travesseiro, marcou-o com o sinal da cruz e disse a Paésia que se deitasse. Foi em seguida mais adiante para dormir também, após ter orado. Mas, despertando-se à meia-noite, viu um raio de luz que descia do céu sobre Paésia e que servia de caminho a vários anjos que transportavam sua alma ao céu. Surpreendido com esta visão, foi ter com Paésia, e com o pé tocou-a para ver se estava morta e percebeu que entregara sua alma a Deus. Ao mesmo tempo ouviu uma voz miraculosa que lhe disse: Sua penitência de uma hora foi mais agradável a Deus do que a de outros durante muito tempo, porque não a fazem com tanto fervor quanto ela.’
Muitas vezes Irmã Teresa fizera-me notar que a justiça de Nosso Senhor contenta-se com bem pouca coisa, quando o motivo é o amor e que então ele diminui, além de toda a medida, a pena temporal devida ao pecado, pois ele é só doçura.
‘Fiz a experiência, confiou-me, de que após uma infidelidade mesmo leve, a alma deve sofrer durante algum tempo, um certo mal-estar’. Digo-me então: ‘É o tributo de tua falta, filhinha, e suporto pacientemente que a dívidazinha seja paga.’
Mas em sua esperança, nisso se limitava, a satisfação reclamada pela justiça para os que são humildes e abandonam-se a Deus com amor. Não via abrir-se para eles a porta do purgatório, pensando antes que o Pai dos céus, correspondendo à sua confiança, por uma graça de luz na hora da morte, faria nascer nessas almas, à vista de sua miséria, um sentimento de contrição perfeita que apagaria toda a dívida.


Nenhum comentário:

Postar um comentário