sábado, 26 de outubro de 2013

XXX Domingo do Tempo Comum (Por Flávio Alves Rosário ) Oração: Autêntica ou Falsa?

XXX Domingo do Tempo Comum (Por Flávio Alves Rosário )
Oração: Autêntica ou Falsa?

Meus irmãos e irmãs paz da parte de Deus a Igreja esta celebrando o 30º Domingo do Tempo Comum estamos quase terminando o ciclo do tempo comum e chegando próximo da festa do ano da fé Cristo Rei do Universo por isso saibamos que “a oração do humilde atravessa as nuvens”, diz Eclo 35, 21: sobe até Deus e desce cheia de frutos.Em Lc 18, 9 – 14 Jesus põe em confronto a oração do soberbo e do humilde, contando-nos a parábola do fariseu e do publicano.Por isso meus queridos Irmãos e irmãs em Cristo ,antes de narrar a parábola, São Lucas preocupa-se em mencionar que Jesus falava a uns que confiavam em si mesmos, como se fossem justos, e desprezavam os outros. O Senhor fala de dois personagens bem conhecidos de todos os ouvintes: Subiram dois homens ao Templo para orar: um fariseu e outro publicano. Percebeu-se logo que, embora ambos tenham ido ao Templo com a mesma finalidade, um deles não fez oração. Não falou com Deus num diálogo amoroso, mas consigo próprio. Na sua oração, não há amor como também não há humildade. Está de pé, dá graças pelo que faz, mostra-se satisfeito. Compara-se com os outros e considera-se mais justo, melhor cumpridor da Lei. Parece não necessitar de Deus. Na oração, ao invés de louvar a Deus, louva-se a si mesmo… Sua oração é longa: é uma arrogante exaltação de si. Sua Salvação não é dom de Deus, mas conquista de suas “boas obras”.O publicano “ficou de longe, e por isso Deus aproximou-se dele mais facilmente. Não atrevendo a levantar os olhos ao céu, tinha já consigo Aquele que fez os céus… Que o Senhor esteja longe ou não, depende de ti. Ama e se aproximará” (Santo Agostinho). O publicano conquistou a Deus pela sua humildade, pois “Ele resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes” (Tg 4, 6). Não se considera melhor do que os outros… Nem os julga… Sua oração é breve: resume-se em pedir perdão.Efetivamente, a humildade é o fundamento do nosso trato com Deus.
“Deus gosta – ensina Santo Afonso Maria de Ligório – de que trateis familiarmente com Ele. Tratai com Ele dos vossos assuntos, dos vossos projetos, dos vossos trabalhos, dos vossos temores e de tudo o que vos interesse. Fazei-o com confiança e com o coração aberto, porque Deus não costuma falar à alma que não lhe fala.” Mas falemos-Lhe com a simplicidade da humildade.Jesus começa a parábola do fariseu e o publicano (Lc 18, 1) insistindo em que é preciso orar sempre! O Mestre quer dizer-nos de muitas maneiras que a oração é absolutamente necessária para segui-Lo e para empreender qualquer tarefa cujo valor permaneça para além desta vida passageira.
Nos começos do seu Pontificado, o Papa João Paulo II declarava: “A oração é para mim a primeira tarefa e como que o primeiro anúncio; é a primeira condição do meu serviço à Igreja e ao mundo.” E acrescentava: “Todos os fiéis devem considerar sempre a oração como a obra essencial e insubstituível da sua vocação… Sabemos bem que a fidelidade à oração ou o seu abandono são a prova da vitalidade ou da decadência da vida religiosa, do apostolado, da fidelidade cristã.” Sem oração, não poderíamos seguir o Senhor no meio do mundo. A oração é tão indispensável como o alimento ou a respiração para a vida do corpo.Façamos um exame, uma reflexão, sobre como estamos rezando! Examinemos hoje se a nossa oração, o nosso trato diário com Jesus, vivifica o nosso trabalho, a vida familiar, a amizade, o apostolado… Sabemos que tudo é diferente quando primeiro falamos com o Mestre. É na oração que o Senhor dá luzes para entender as verdades.Peçamos ao Senhor a graça de termos zelo, amor, pelos tempos de oração, que defendamos os tempos dedicados à oração, “estando a sós com quem sabemos que nos ama” (Santa Teresa), pois dela tiramos forças para santificar os nossos afazeres diários, para converter em graça as contrariedades e para vencer todas as dificuldades. A nossa fortaleza está na proporção do nosso trato com o Senhor.
Não deixemos nunca a oração! Escreve Santa Teresa: “Outra coisa não me parece perder o caminho senão abandonar a oração.” Não devemos ficar preocupados se algumas vezes a oração se torna árida, não experimentamos nenhum sentimento especial enquanto tentamos rezar. No tratado sobre a oração, ensina São Pedro de Alcântara: “Para quem se empenha seriamente em fazer oração, virão tempos em que lhe parecerá vaguear por um deserto e, apesar de todos os esforços, não sentir nada de Deus. Deve saber que essas provas não são poupadas a ninguém que tome a oração a sério [...]. Nesses períodos, deve esforçar-se firmemente por manter a oração, que ainda que possa dar-lhe a impressão de um certo artificialismo, é na realidade algo completamente distinto: é precisamente nessa altura que a oração constitui uma expressão de sua fidelidade a Deus, na presença do qual quer permanecer mesmo que não seja recompensado por nenhuma consolação subjetiva.”
“É a presença silenciosa de Deus na base do nosso pensamento, da nossa reflexão e do nosso ser, que impregna toda a nossa consciência.” (Bento XVI)
Nesse DIA MUNDIAL DAS MISSÕES, o papa nos lembra que… “é uma ocasião para renovar o compromisso de anunciar o Evangelho e conferir às atividades pastorais ampla conotação missionária…
‘Queremos ver Jesus’ é um apelo atual… Os homens de nosso tempo pedem aos fiéis que não apenas “falem” de Jesus, mas “apresentem”, fazendo resplandecer o seu rosto, em todos os cantos da terra.
A oração ajudará a ser “Discípulos-Missionários”

sábado, 19 de outubro de 2013

XXIX Domingo do Tempo Comum ( por Flávio Alves Rosário ) A Oração da Viúva




XXIX Domingo do Tempo Comum ( por Flávio Alves Rosário )

A Oração da Viúva



Meus queridos irmãos e irmãs do meu facebook em Cristo na liturgia de hoje o Evangelho (Lc 18, 1-8) realça três aspectos quanto à oração: a oração como expressão da fé em Deus; a presença da oração em toda a vida da pessoa e a perseverança nela.Jesus narra a parábola do juiz injusto e da viúva. Trata-se de um juiz que “não temia a Deus nem respeitava os homens” e que não quer saber nada de uma pobre viúva que a ele recorre exigindo justiça; por fim, cede às suas incessantes súplicas para que ela não o continue a incomodar. Deste exemplo Jesus tira uma lição: fazer compreender que Deus, muito melhor que o juiz injusto, escutará as súplicas de quem a Ele recorre confiadamente.
Santo Agostinho, ao comentar esta passagem do Evangelho, ressalta a relação que existe entre a fé e a oração confiante: “Se a fé fraqueja, a oração perece; pois a fé é a fonte da oração e o rio não pode fluir se o manancial fica seco”. A nossa oração tem de ser contínua e confiada, como a de Jesus, nosso Modelo: “Pai, eu sei que sempre me ouves” (Jo 11, 42). Ele nos escuta sempre.
Não devemos cansar-nos de orar! E se alguma vez o desalento e a fadiga começam a atingir-nos, temos que pedir aos que estão ao nosso lado que nos ajudem a continuar a rezar, sabendo que já nesse momento o Senhor nos está concedendo muitas outras graças, talvez mais necessárias do que os dons que lhe pedimos.
Examinemos hoje se a nossa oração é perseverante, confiada, insistente. “Persevera na oração, como aconselha o Mestre. Esse ponto de partida será a origem da tua paz, da tua alegria, da tua serenidade e, portanto, da tua eficácia sobrenatural e humana” (São Josemaria Escrivá, Forja, nº 536). Não há nada que uma oração perseverante não alcance!
Na parábola, ao juiz o Senhor contrapõe uma viúva, símbolo da pessoa indefesa e desamparada. E à sua insistência perseverante em pedir justiça, a resistência do juiz em atendê-la. O final inesperado acontece depois de um contínuo ir e vir da viúva e das reiteradas negativas do juiz. Este acaba por ceder, e a parte mais fraca obtém o que desejava. Mas a razão desta vitória não está em que o coração do administrador da justiça mudou: a única arma que conseguiu a vitória foi a oração incessante, a insistência da mulher! E o Senhor conclui com uma reviravolta: “E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por Ele? Será que vai fazê-los esperar?” (Lc 18, 7). Jesus faz ver que o centro da parábola não é o juiz injusto, mas Deus, cheio de misericórdia, paciente e imensamente zeloso pelos seus.
O Senhor explica nesta parábola que são três as razões pelas quais as nossas orações são sempre ouvidas: primeiro, a bondade e a misericórdia de Deus, que distam tanto das disposições do juiz ímpio; depois, o amor de Deus por cada um dos seus filhos; e por fim, o interesse que nós mostramos perseverando na oração.
“É preciso reconhecer humilde e realmente que somos frágeis e débeis, com necessidade contínua de força interior e de consolação. A oração dá força para os grandes ideais, para manter a fé, a caridade, a pureza, a generosidade; a oração dá ânimo para sair da indiferença e da culpa, se por desgraça se cedeu à tentação e à debilidade; a oração dá luz para ver e julgar os acontecimentos da própria vida e da própria história na perspectiva salvífica de Deus e da eternidade. Por isso, não deixeis de orar! Não passe um dia sem que tenhais orado um pouco! A oração é um dever, mas também é uma grande alegria, porque é um diálogo com Deus por meio de Jesus Cristo! Cada domingo a Santa Missa e, se vos é possível, alguma vez também durante a semana; cada dia as orações da manhã e da noite e nos momentos mais oportunos!” (Papa João Paulo II, Aos Jovens, 14/03/1979).
Ao terminar a parábola, Jesus acrescenta: “Mas o Filho do Homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” (Lc 18, . Por ventura encontrará uma fé semelhante à da viúva? Trata-se de uma fé concreta: a fé dos filhos de Deus na bondade e no poder do seu Pai do Céu. O homem pode fechar-se a Deus, não sentir necessidade dEle, procurar por outros caminhos a solução para as suas deficiências, e então jamais encontrará os bens de que necessita.
Uma conseqüência direta da fé é a oração, mas, ao mesmo tempo, “a oração dá maior firmeza à própria fé. Ambas estão perfeitamente unidas. Por isso, quando pedimos, acabamos por ser melhores; se não fosse assim, não nos tornaríamos mais piedosos, mas mais avaros e ambiciosos”, diz Santo Agostinho.
Neste mês de outubro, não deixemos de servir-nos do Santo Rosário como oração sempre eficaz para conseguir através de Nossa Senhora, tudo aquilo de que precisamos, nós e as pessoas que de alguma maneira dependem de nós. Não separemos a oração da vida, da ação! Tudo pode ser impregnado da presença de Deus. E isto é oração! a todos Deus abençõe e tenham um ótimo Domingo do Senhor!Santo Agostinho, ao comentar esta passagem do Evangelho, ressalta a relação que existe entre a fé e a oração confiante: “Se a fé fraqueja, a oração perece; pois a fé é a fonte da oração e o rio não pode fluir se o manancial fica seco”. A nossa oração tem de ser contínua e confiada, como a de Jesus, nosso Modelo: “Pai, eu sei que sempre me ouves” (Jo 11, 42). Ele nos escuta sempre.Não devemos cansar-nos de orar! E se alguma vez o desalento e a fadiga começam a atingir-nos, temos que pedir aos que estão ao nosso lado que nos ajudem a continuar a rezar, sabendo que já nesse momento o Senhor nos está concedendo muitas outras graças, talvez mais necessárias do que os dons que lhe pedimos.Examinemos hoje se a nossa oração é perseverante, confiada, insistente. “Persevera na oração, como aconselha o Mestre. Esse ponto de partida será a origem da tua paz, da tua alegria, da tua serenidade e, portanto, da tua eficácia sobrenatural e humana” (São Josemaria Escrivá, Forja, nº 536). Não há nada que uma oração perseverante não alcance!Na parábola, ao juiz o Senhor contrapõe uma viúva, símbolo da pessoa indefesa e desamparada. E à sua insistência perseverante em pedir justiça, a resistência do juiz em atendê-la. O final inesperado acontece depois de um contínuo ir e vir da viúva e das reiteradas negativas do juiz. Este acaba por ceder, e a parte mais fraca obtém o que desejava. Mas a razão desta vitória não está em que o coração do administrador da justiça mudou: a única arma que conseguiu a vitória foi a oração incessante, a insistência da mulher! E o Senhor conclui com uma reviravolta: “E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por Ele? Será que vai fazê-los esperar?” (Lc 18, 7). Jesus faz ver que o centro da parábola não é o juiz injusto, mas Deus, cheio de misericórdia, paciente e imensamente zeloso pelos seus.O Senhor explica nesta parábola que são três as razões pelas quais as nossas orações são sempre ouvidas: primeiro, a bondade e a misericórdia de Deus, que distam tanto das disposições do juiz ímpio; depois, o amor de Deus por cada um dos seus filhos; e por fim, o interesse que nós mostramos perseverando na oração.“É preciso reconhecer humilde e realmente que somos frágeis e débeis, com necessidade contínua de força interior e de consolação. A oração dá força para os grandes ideais, para manter a fé, a caridade, a pureza, a generosidade; a oração dá ânimo para sair da indiferença e da culpa, se por desgraça se cedeu à tentação e à debilidade; a oração dá luz para ver e julgar os acontecimentos da própria vida e da própria história na perspectiva salvífica de Deus e da eternidade. Por isso, não deixeis de orar! Não passe um dia sem que tenhais orado um pouco! A oração é um dever, mas também é uma grande alegria, porque é um diálogo com Deus por meio de Jesus Cristo! Cada domingo a Santa Missa e, se vos é possível, alguma vez também durante a semana; cada dia as orações da manhã e da noite e nos momentos mais oportunos!” (Papa João Paulo II, Aos Jovens, 14/03/1979).Ao terminar a parábola, Jesus acrescenta: “Mas o Filho do Homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” (Lc 18, . Por ventura encontrará uma fé semelhante à da viúva? Trata-se de uma fé concreta: a fé dos filhos de Deus na bondade e no poder do seu Pai do Céu. O homem pode fechar-se a Deus, não sentir necessidade dEle, procurar por outros caminhos a solução para as suas deficiências, e então jamais encontrará os bens de que necessita.Uma conseqüência direta da fé é a oração, mas, ao mesmo tempo, “a oração dá maior firmeza à própria fé. Ambas estão perfeitamente unidas. Por isso, quando pedimos, acabamos por ser melhores; se não fosse assim, não nos tornaríamos mais piedosos, mas mais avaros e ambiciosos”, diz Santo Agostinho.Neste mês de outubro, não deixemos de servir-nos do Santo Rosário como oração sempre eficaz para conseguir através de Nossa Senhora, tudo aquilo de que precisamos, nós e as pessoas que de alguma maneira dependem de nós. Não separemos a oração da vida, da ação! Tudo pode ser impregnado da presença de Deus. E isto é oração! a todos Deus abençõe e tenham um ótimo Domingo do Senhor!

domingo, 23 de junho de 2013

XII Domingo do Tempo Comum – Ano C por-(Flávio Alves Rosário ) A Cruz Salvadora

XII Domingo do Tempo Comum – Ano C por-(Flávio Alves Rosário- teólogo )
A Cruz Salvadora

No Evangelho (Lc 9, 18-24) Jesus pergunta aos discípulos: “Quem diz o povo que eu sou?” (Lc 9, 18). Eles responderam: “João Batista; outros, que és Elias; outros, que és um dos antigos profetas, que ressuscitou.” E vem a pergunta decisiva: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”. Em seguida, Jesus revela a outra face da sua pessoa: o sofrimento e a morte pela qual deve passar o Filho do Homem. Finalmente, Ele mostra que o caminho do Mestre é também o caminho do discípulo.“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia, e siga-me.”Ele irá à frente para dar o exemplo: Será o primeiro a levar a cruz. Quem quiser ser seu discípulo, há de imitá-lo.E conclui: “Aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem a perder, por minha causa, esse se salvará.
A resposta de Jesus foi muito dura e perturbadora para os seus discípulos que, como os seus compatriotas, sonhavam só com um Messias-Rei. Mas Jesus não retrocede; pelo contrário, prossegue no seu esclarecimento avisando-os que também eles haveriam de passar pelo caminho do sofrimento.Quem quiser ser seu discípulo, deverá imitá-Lo, não apenas uma vez, mas dia após dia, negando-se a si mesmo – vontade, inclinações, gostos – para se conformar com o Mestre sofredor e crucificado.O seguimento de Cristo leva os cristãos a experimentarem em suas vidas a mesma sorte do Cristo de Deus: tornados filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus, todos foram batizados em Cristo e se revestiram de Cristo (Gl 3, 26-28). Este processo de ser batizado em Cristo e revestir-se dele continua através da vida. É tomar a cruz todos os dias e segui-Lo. É perder a vida por causa de Cristo para salvá-la.A pedagogia de Deus, que consiste em converter o homem não pela força, mas pelo exemplo do amor até o fim, atinge a plenitude em Jesus de Nazaré.Os pequenos sacrifícios do dia a dia não são apenas exercícios esportivos. Eles são, verdadeiramente, exercícios do amor de Cristo. São a manifestação, até nos mínimos detalhes de nossa vida, de quanto temos constantemente diante dos olhos seu amor por nós, manifestado na cruz. A cruz do dia a dia é nossa participação da cruz do Calvário e recebe desta todo seu valor.Cristo na Cruz: esta é a única chave verdadeira. Ele aceita o sofrimento na Cruz para nos fazer felizes; e nos ensina que, unidos a Ele, podemos também nós dar um valor de salvação ao nosso sofrimento, que se transforma então em alegria: na alegria profunda do sacrifício pelo bem dos outros e na alegria da penitência pelos pecados pessoais e pelos pecados do mundo.“À luz da Cruz de Cristo, portanto, não há motivo para termos medo à dor, porque entendemos que é na dor que se manifesta o amor: a verdade do amor, do nosso amor a Deus e a todos os homens” (A. Del Portillo, Homilia).O Senhor disse por meio de Neemias: Não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8,10).A tristeza provoca muito mal em nós e à nossa volta. É uma erva da minha que devemos arrancar logo que aparece: “…afasta para longe de ti a tristeza; pois a tristeza matou a muitos e não traz proveito algum” (Eclo. 30, 24-25).Podemos recuperar a alegria, em qualquer circunstância que tenda a abater-nos, se soubermos recorrer à oração ou buscarmos contritamente o sacramento da Confissão, sobretudo quando a perdemos por causa do pecado ou por descuidos culpáveis no relacionamento com Deus.Digamos ao Senhor que nos ajude com a sua graça para que, a cada momento, possa contar efetivamente conosco para o que queira: livres de objeções e de laços que nos prendam. Senhor, não tenho outro fim na vida a não ser buscar-vos, amar-vos e servir-vos… Todos os outros objetivos da minha vida se orientam para isso. Não quero nada que me separe de vós.
 

sábado, 8 de junho de 2013

X Domingo do Tempo Comum – Ano C -Por Flávio Alves Rosário ( O Senhor da vida!)



X Domingo do Tempo Comum – Ano C -Por Flávio Alves Rosário 


O Senhor da vida!


O Evangelho do X Domingo (Lc 7, 11-17), nos apresenta Jesus que se encontra com um cortejo fúnebre. Uma pobre viúva chora a morte do seu único filho. “Ao vê-la, o Senhor compadeceu-se dela e disse-lhe: Não chores” (Lc 7, 13). E movido pela compaixão, diz Jesus: “Jovem, Eu te ordeno, levanta-te” (Lc 7, 14). Como à mãe pediu que não chorasse, ao filho morto ordena que se levante! Somente quem é Senhor da vida pode falar desta maneira e com palavras que fazem aquilo que exprimem! “O morto sentou-se e começou a falar. E Jesus entregou-o à sua mãe” (Lc 7, 15).
Comentando este fato do filho da viúva da Naim, diz São Josemaria Escrivá: “Explica o evangelista que Jesus Se compadeceu: talvez a Sua comoção tivesse também sinais externos, como pela morte de Lázaro. Jesus não era, nem é, insensível ao sofrimento que nasce do amor, nem sente prazer em separar os filhos dos pais. Supera a morte, para dar a vida, para que aqueles que se amam convivam [...].Cristo sabe que O rodeia uma grande multidão, a quem o milagre encherá de pasmo e que há de ir apregoando o sucedido por toda aquela região. Mas o Senhor não age com artificialismo, só para praticar um feito; sente-Se particularmente afetado pelo sofrimento daquela mulher; não pode deixar de a consolar. Então, aproximou-Se e disse-lhe: não chores (Lc 7,13). Que é como se lhe dissesse: não te quero ver desfeita em lágrimas, pois Eu vim trazer à terra a alegria e a paz. E imediatamente se dá o milagre, manifestação do poder de Cristo, Deus. Mas antes já se dera a comoção da Sua alma, manifestação evidente da ternura do coração de Cristo, Homem” (Cristo que passa, nº 166).A alegria da mãe ao recuperar vivo o seu filho recorda a alegria da Igreja pelos seus filhos pecadores que retornam, pelo Sacramento da Confissão, à vida da graça. Comenta Santo Agostinho: “A mãe viúva alegra-se com o seu filho ressuscitado. A mãe Igreja alegra-se diariamente com os homens que ressuscitam na sua alma. Aquele, morto quanto ao corpo, estes, quanto ao seu espírito. Aquela morte visível chora-se visivelmente; a morte invisível destes nem chora nem se vê. Busca estes mortos o que os conhece, o que os pode fazer regressar à vida” (Sermo 98,2).
O milagre que Jesus fez, ressuscitando o filho da viúva, nos dá um grande exemplo dos sentimentos que devemos ter diante das desgraças alheias. Devemos aprender de Jesus! E para termos um coração semelhante ao seu, devemos recorrer em primeiro lugar à oração: “Temos de pedir ao Senhor que nos conceda um coração bom, capaz de se compadecer das penas das criaturas, capaz de compreender que, para remediar os tormentos que acompanham e não poucas vezes angustiam as almas neste mundo, o verdadeiro bálsamo é o amor, a caridade: todos os outros consolos apenas servem para distrair por um momento e deixar mais tarde um saldo de amargura e desespero” (São Josemaria Escrivá, é Cristo que passa, nº 167).Pois bem, assim como o amor a Deus não se reduz a um sentimento, mas leva a obras que o manifestem, assim também o nosso amor ao próximo deve ser um amor eficaz. É o que nos diz S. João: “Não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e de verdade” (1 Jo 3,18).Jesus Cristo ao falar do Juízo, declarou: “Vinde benditos de meu Pai… tive fome e me destes de comer…” (Mt 25, 31-40).Peçamos a Deus uma caridade vigilante, porque, para se conseguir a salvação é necessário reconhecer Cristo que nos sai ao encontro nos nossos irmãos, os homens. Todos os dias Ele sai ao nosso encontro: na família, no trabalho, na rua… Ele, Jesus.

sábado, 1 de junho de 2013

IX Domingo do Tempo Comum – Ano C Saber Pedir ( Flávio A. Rosário )

IX Domingo do Tempo Comum – Ano C
Saber Pedir ( Flávio A. Rosário )

O Evangelho (Lc 7, 1-10) apresenta-nos a figura de um centurião que é modelo de muitas virtudes: fé, humildade, confiança no Senhor.

Este centurião é também para nós um exemplo de homem que sabe pedir. A fé deste homem arrancou a admiração de Jesus, porque se diz que “Jesus ficou admirado”.

É uma fé humilde. A humildade deste homem é verdadeiramente surpreendente e transparece em tantos particulares (Não só nas famosas palavras: Eu não sou digno…, antes de tudo da relação que há entre ele e seu servo: aquele servo não é uma coisa, mas uma pessoa, um amigo(“a quem prezava”); por ele, se dispõe pessoalmente, e esta é humildade, da melhor qualidade! Indica que, também na vida, ele não é um homem que olha os outros do alto de seu cargo, não faz pesar sua superioridade, mas sabe colocar-se ao lado dos mais humildes. Em segundo lugar, ele não vai pessoalmente a Jesus, porque, como pagão, se considera indigno de comparecer à sua frente.

É a própria fé deste homem que é humilde; tem uma fé  capaz de deslocar montanhas, e não o percebe, aliás, parece até se envergonhar, porque tenta justificá-la. Como se dissesse: nenhum mérito há de minha parte em crer que tu podes curar meu servo; vejo como me obedecem meus súditos!

Mas exatamente aqui está o milagre de sua fé que arranca a admiração de Jesus: “Também eu estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: Vai, ele vai; e a outro: Vem! ele vem; e ao meu empregado: Faze isto!, ele o faz” (Lc 7, 8). A lógica é clara: ele responde pelos próprios atos diante de seu superior, este por sua vez ao governador local, que por fim responde a César, em Roma. A autoridade que se espera seja exercida por Jesus se encontra nas mesmas condições. A argumentação é notável!

Este homem entendeu – certamente pelo dom do Espírito Santo – que os milagres de Jesus brotam de sua obediência ao Pai e isto, em Israel, não o tinha entendido ninguém, nem mesmo os discípulos mais íntimos! Entende-se por que Jesus ficou comovido.

O ensinamento mais importante desse texto evangélico é a fé do centurião; a qualidade daquela fé! É uma fé humilde, sim, mas corajosa; dir-se-ia até mal-educada, indiscreta, segura demais de si, se isto não resultasse que a Jesus agradava exatamente assim: “Em verdade, vos digo: se alguém disser a esta montanha: arranca-te e joga-te no mar, sem duvidar no coração, mas acreditando que vai acontecer, então acontecerá” (Mc 11,23). O dito de Jesus quer dizer que a fé faz superar todos os obstáculos; que entre o que Deus pede ao homem com a fé e aquilo que ele está disposto a lhe dar há a mesma desproporção que existe entre um grãozinho de mostarda e um monte que se desloca.

O centurião colocou seu servo nas mãos de Jesus; sabia que não podia fazer outra coisa a não ser o bem: e voltando para a casa do centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado.

Eis o ensinamento do Evangelho de hoje: crer de maneira simples e corajosa, ousar muito em matéria de fé, pedir “sem duvidar.”

Nossa fé é, muitas vezes, extremamente intelectual, muito cerebral; consiste em crer que aquilo que Deus falou seja verdadeiro(crer na veracidade de Deus), mas não em crer que o que prometeu acontecerá (crer no poder de Deus). Enfim, falta-nos a fé nos milagres.

Revistamo-nos da humildade do centurião com aquelas palavras que ele foi o primeiro a dizer e que atravessaram os séculos até nós: Senhor, não sou digno; mas abracemos também sua fé: Dize somente uma palavra e eu ficarei curado.

domingo, 26 de maio de 2013

Cinquenta anos do Concílio e cinquenta e sete anos de sacerdócio: um testemunho

Anotações para o Curso de Atualização para Sacerdotes-CAS (25/07/2012)
Pedem-me um testemunho pessoal. Um testemunho não é uma conferência, é apenas um relato do que a pessoa viu e experimentou; por isso é inevitavelmente subjetivo, ainda que tente ser o mais objetivo possível.
Creio que, como muitos outros padres daquela época, a minha experiência do Concílio passou por  quatro fases, que talvez se possam enumerar assim:
1ª) Uma chama de esperança
2ª) Avançando em águas agitadas
3ª) O Concílio encampado
4ª) Resgatando o Concílio
N.B. Quero esclarecer que, nestas anotações, a fim de frisar algumas ideias, coloquei bastantes sublinhados, mesmo em citações de discursos ou documentos oficiais e de publicações de alguns autores. Todos esses sublinhados são meus, e não dos textos originais.
 I. Uma chama de esperança
É preciso ter em conta que o Concílio Vaticano II foi concebido e celebrado em anos difíceis e muito incertos, relativamente próximos ao fim da segunda guerra mundial: crise político-ideológica geral (com a derrocada da ideologia nazi-fascista e o marxismo aparentemente vitorioso), “guerra fria” entre EUA e URSS, corrida armamentista com ameaça séria de guerra atômica capaz de destruir o planeta, “cortina de ferro”, avanço mundial dos regimes comunistas (meia Europa, Ásia: países asiáticos da URSS, China, Vietnã, Coréia, Camboja, etc.); “Igreja do silêncio”; lutas cruentas pela liberdade e a independência nos países da África…
Junto disso, a sociedade ocidental estava cada vez mais mergulhada no materialismo e numa profunda crise de fé. No campo das ideias, predomínio do pessimismo existencialista (“Ser para a morte, ser para o nada” de Heidegger, “O homem, paixão inútil” de Sartre, etc.), da psicanálise determinista freudiana e do materialismo histórico-dialético entre os intelectuais; eram ideias que impregnavam, naqueles anos, boa parte da filosofia, da literatura, cinema, arte, etc. Pareciam sentir-se as convulsões de uma mudança de época e de cultura.
O Beato João XXIII tinha plena consciência da gravidade do momento histórico – como veremos logo a seguir– e das ameaças graves que pairavam sobre o mundo e sobre a Igreja. Não seria justo dizer que concebeu o Concílio – como alguns afirmaram – de maneira pouco pensada (embora tivesse uma concreta inspiração de Deus), levado por um otimismo irrefletido.
É importante lembrar que, ao convocar o Concílio Vaticano II, com a Constituição Apostólica Humanae salutis, na manhã do dia de Natal de 1961, João XXIII dizia: «A Igreja assiste hoje a uma crise que aflige gravemente a sociedade humana. Enquanto a humanidade está para entrar num tempo novo, obrigações de gravidade e amplitude imensas pesam sobre a Igreja, como nas épocas mais trágicas da sua história. Trata-se, na verdade, de pôr em contato o mundo moderno com as energias vivificadoras e perenes do Evangelho».
Nesse mesmo documento, comentava que o mundo estava a organizar-se de costas para Deus, orgulhoso de seu desenvolvimento material, ao mesmo tempo que regredia no campo moral e ficava com os valores do espírito enfraquecidos (cf. Ibid.).
Com esperança, o Papa afirmava: «O próximo Concílio reúne-se, felizmente, no momento em que a Igreja percebe de modo mais vivo o desejo de fortificar a sua fé e de se olhar a si mesma na sua própria e maravilhosa unidade; como também percebe melhor a urgente necessidade de dar maior eficiência à sua forte vitalidade, e de promover a santificação dos seus membros, a difusão da verdade revelada, a consolidação das suas estruturas [...], permanecendo sempre idêntica a si mesma» (Ibid.).
Seu desejo era, portanto, que a Igreja fosse, pela sua autenticidade divina e vitalidade espiritual, a «alma» vivificadora deste mundo em crise.
Muitos pensadores católicos de grande categoria trabalhavam sinceramente para uma renovação da teologia e do pensamento cristão, fiéis à fé e ao Magistério da Igreja. Às vezes tratava-se de tentativas imprecisas ou ainda não amadurecidas, que provocavam “escândalos” precipitados, e facilitavam aos autores retificações profícuas e maiores esclarecimentos.  A imensa maioria deles, porém,  nunca pretendeu contestar nem afastar-se do Magistério autêntico da Igreja.
Creio que todos queríamos ver uma Igreja fiel, rejuvenescida e pastoralmente atraente, capaz de revitalizar os católicos e de ganhar para a fé os que a ignoravam ou a tinham abandonado. Baste citar nomes como Henri de Lubac, Romano Guardini, Karl Adam, Odo Casel, Ives Congar, Marie-Dominique Chénu, Jean Daniélou, Reginald Garrigou-Lagrange, Gustave Thils…, e, já antes deles, Mathias Ioseph Scheeben, John Henry Newman, Michael Schmaus (o revisor exigente da tese de mestrado do aluno Ratzinger), e outros.
Ao lado deles, havia nomes de intelectuais e artistas católicos – muitos deles convertidos – que brilhavam como faróis , promovendo entusiasmo e conversões:  literatos como G.K. Chesterton, Graham Green (com as reservas que é necessário fazer), François Mauriac (idem.), Giovanni Papini (idem), etc., e filósofos da estatura de Jacques Maritain, Etienne Gilson, Dietrich von Hildebrand, Christopher Dawson, Ioseph Pieper, Cornélio Fabro, etc, etc.  Um fervilhar empolgante de ideias – que ultrapassavam o engessamento da escolástica decadente e os pietismos românticos – e que despertavam grandes esperanças. Infelizmente, a maioria deles foram deixados de lado na época das confusões do pós-Concílio. Penso pessoalmente que muitas das suas ideias são plenamente válidas, como sementes temporariamente enterradas, que ainda hão de vingar e dar maiores frutos (já deram muitos) para a Igreja e para o mundo.
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O  propósito do Papa ao convocar o Concílio ficou ainda mais claro no seu Discurso de abertura solene do Concílio, em 11 de outubro de 1962.
«O que mais importa ao Concílio Ecumênico – dizia enfaticamente –  é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz». E acrescentava: «Mas para que esta doutrina atinja os múltiplos níveis da atividade humana, que se referem aos indivíduos, às famílias e à vida social, é necessário primeiramente que a Igreja não se aparte do patrimônio sagrado da verdade, recebido dos seus maiores; e, ao mesmo tempo, deve também olhar para o presente, para as novas condições e formas de vida introduzidas no mundo hodierno, que abriram novos caminhos ao apostolado católico».
O Papa declarava ainda que o Concílio não ia definir temas «da doutrina fundamental da Igreja [...]. Para isso, não havia necessidade de um Concílio». Mas sim procuraria «uma renovada e tranquila adesão a todo o ensino da Igreja, na sua integridade e exatidão». A doutrina «certa e imutável» – declarava o Papa – deverá ser «fielmente respeitada, aprofundada e exposta de forma a responder às exigência do nosso tempo».
Frisava ainda o Papa o «caráter prevalentemente pastoral do Concílio», e também sublinhava a finalidade ecumênica da assembleia, afirmando que «os homens não podem, sem a ajuda de toda a doutrina revelada, conseguir uma completa e sólida união dos espíritos, com a qual andam juntas a verdadeira paz e a salvação eterna».
O Papa auspiciava uma maior unidade entre os católicos, uma união de orações e desejos com os cristãos separados que almejam sinceramente a unidade,  e uma unidade na estima e no respeito para com Igreja Católica por parte daqueles que «seguem ainda religiões não-cristãs» ..
Tudo respirava um ardente zelo evangelizador, «fiéis às inspirações do Espírito Santo» e contando com a intercessão de Maria, «auxílio dos cristãos, auxílio dos Bispos», que conduziria a uma nova primavera da Igreja. Respirava-se um ar esperançado de reflorescimento e renovação. Era lógico que vibrássemos com  muito entusiasmo.
Esse entusiasmo cresceu quando percebemos, já desde as primeiras sessões, que o Concílio não se limitaria a dar leves retoques, a um trabalho “pro forma”, masprocuraria – sem questionar a doutrina nem o Magistério – uma profunda renovação da vida da Igreja e da sua eficácia pastoral.
II. Avançando em águas agitadas
Muitos de nós, porém, percebíamos que essa sede de renovação, de mudanças, muito cedo se vinha transformando numa embriaguez de mudanças, numa psicose de mudanças radicais. Tudo o que era antigo era visto por muitos com desconfiança e até com desprezo. Eram questionados o fim sobrenatural da Igreja, os Sacramentos, a identidade do sacerdote, relativizavam-se com crítica historicista os Mandamentos da Lei de Deus…
Creio que não é exagero dizer que, naqueles anos 60 e 70 (e até mesmo nos 80), viveu-se na Igreja – especialmente entre  muitos seminaristas, membros do clero e religiosos – uma autêntica “crise de adolescência”: como se fossem o adolescente que desconfia de tudo o que vem dos “velhos” e tudo quer virara pelo avesso.
Na sua breve biografia, “A minha vida”, o Card. Ratzinger conta, a respeito da época do Concílio: «O Concílio prosseguia, e eu vivia entre Münster e Roma [...] Sempre que voltava de Roma encontrava um estado de ânimo mais agitado na Igreja e entre os teólogos. Crescia cada vez mais a impressão de que na Igreja não havia nada de estável, que tudo podia ser objeto de revisão. O Concílio parecia assemelhar-se a um grande parlamento eclesial, que podia mudar tudo e revolucionar qualquer coisa…».
Essa agitação levou a uma ânsia afobada de começar logo a aplicar mudanças, muitas delas secundárias e ingênuas. Não faz muito, um bispo amigo contava que, numa reunião com padres idosos de uma zona rural do sul do país, ao perguntar-lhes sobre quais foram os frutos do Concílio responderam que eram três: tirar a batina, colocar altar “coram populo” e celebrar a Missa em português.
É também importante, creio, não esquecer que essa ânsia renovadora dava-se em uns  momentos em que, na sociedade laica ocidental, estava se produzindo uma revolução radical de valores, cujas consequências persistem, pois se tornaram predominantes na sociedade atual, abalando os valores cristãos relativos à família, à vida e, em geral, às virtudes cristãs:  1) Paris 1967 (revolução estudantil, ideológica e moral, de cunho marxista-libertário), 2) Woodstock 1968 (a revolução que teve, nos EUA, como portavoz e detonador o filósofo Marcuse, tentando fundir a psicanálise freudiana com o marxismo): daí a revolução sexual ( “façamos o amor e não a guerra”), o êxtase do LSD e outras drogas, a rejeição de toda norma moral (“é proibido proibir”), de toda autoridade (“o poder jovem”), etc, que desembocariam na generalização do relativismo, do hedonismo, do laicismo, na ideologia dos gêneros, etc.
A impressão que tínhamos era que muitos, na Igreja, por uma embriaguez de mudanças, se deixavam arrastar pelo “rio da história” – ou, como alguns diziam, pelo “trem da história”–, identificado-se com esses movimentos de matriz materialista e laica.
Era natural que isso tudo provocasse – já desde o início – desorientação e  confusões, que afetariam seriamente os seminários, o clero, os religiosos e boa parte do laicado católico; que prejudicariam a interpretação e aplicação certa do Concílio, e dificultariam a tarefa – que nunca faltou – de excelentes bispos, sacerdotes, teólogos e outros intelectuais e pastores no empenho por aprofundar e aplicar o Concílio em sintonia com as linhas orientadoras de João XXIII e com as dos documentos  magisteriais (Encíclicas, etc.), as normas jurídicas e os ensinamentos catequéticos de Paulo VI.
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Parece-me que para compreender esse período confuso pode ser útil  – fazendo alguma simplificação – dizer que houve, naqueles anos, três “concílios” simultâneos:
1– “O Concílio” verdadeiro, guiado pelo Espírito Santo – com impasses, divergências, conflitos e debates  normais nos Concílios, e com muito trabalho –, que deu como fruto altamente positivo os documentos, tesoruros de riqueza ainda pouco explorada, aprovados pela imensa maioria dos Padres conciliares – a maior parte deles praticamente por unanimidade – , documentos que receberam a confirmação plena do Papa;
2– O “concílio” da mídia. Desde o começo, o evento do Concílio foi prato forte da mídia – despreparada para compreender a Igreja, quando não ativamente hostil– , que concentrou a atenção e amplificou ao máximo opiniões particulares “chocantes” de alguns padres conciliares (arrancadas deles de surpresa, na saída à Praça, num restaurante, etc.), intervenções pitorescas de alguns deles nas sessões do Concílio, etc., dando ênfase especial e quase exclusivo ao que se chocasse com a fé, a moral e a disciplina da Igreja Católica.
Foi uma mídia que ignorou o Concílio “verdadeiro” e que, por falta de experiência da Cúria romana, não teve – como agora existe em todos os eventos – um Escritório de comunicação que fornecesse aos jornalistas, com prontidão e eficiência, material escrito didático, resumos, esclarecimentos,  documentos autênticos, entrevistas bem preparadas, breefings diários, etc, que se adiantassem às deturpações.
A mídia nunca comentou, por exemplo,  o que depois diria Paulo VI: que a essência do Concílio estava na Const. Lumen gentium, e que o ponto central desse documento básico era o capítulo VI: “Vocação universal à santidade na Igreja”.
3– Em terceiro lugar, o que poderíamos chamar o “concílio dos teólogos”. Os teólogos – muitos deles de grande categoria, homens de fé e de amor à Igreja – começaram a atuar, em princípio, como peritos nomeados pela Santa Sé ou como assessoresparticulares dos Padres conciliares. Alguns deles, mais “progressistas”, potenciados pelo altofalante da mídia, passaram logo a assumir a um protagonismo indevido, com o qual se autoconstituíram num “Magistério paralelo”, com a pretensão de seremdetentores da autêntica interpretação do Concílio.
Naturalmente, os teólogos que desafiavam abertamente ensinamentos seculares da Igreja atraíram mais do que ninguém a atenção do público, e a mídia passou aconcentrar neles seus holofotes. «Os teólogos – escreveu Ratzinger –, ao tocar o poder, descobriram que gostavam dele e se imaginaram a si mesmos como umaautoridade doutrinal paralela, como uma espécie de magistério de peritos».
«Por trás dessa tendência do predomínio dos especialistas – escreveu o Card. Ratzinger em “A minha vida” – percebia-se outra coisa: a ideia de uma soberania eclesial popular em que o próprio povo estabelece aquilo que ele quer entender com o termo Igreja, que aparecia já claramente definida como povo de Deus. Anunciava-se assim a ideia [de cunho marxista] da “Igreja das bases”, da “Igreja do povo”, que depois se converteu no próprio fim da reforma sobretudo no contexto da teologia da libertação».
Essa confusão provocou, em numerosos fiéis,  ou uma crise de fé – todas as verdades pareciam frágeis e contestáveis, e crer se identificava com opinar (relativismo)–; ou deu-se um empenho militante  de ruptura com a “Igreja preconciliar”, que levou àindisciplina, à anarquia, em muitos ambientes eclesiais, a começar por grande parte dos seminários. Por reação, surgiu o imobilismo rígido dos tradicionalistas.
Tudo parecia indicar – pelo que dolorosamente víamos e sentíamos – que, em vez de se realizar a aspiração de João XXIII de levar a luz de Cristo ao mundo, seguia-se o caminho inverso: substituir a luz de Cristo pelas ideologias do mundo, mais ou menos maquiadas de Cristianismo (existencialismo, marxismo, racionalismo, laicismo relativista, hedonismo, etc.)
III. O Concílio encampado
A adoração do mundo por parte de alguns “teólogos” mais em destaque, e de clérigos e religiosos,  e, em consequência, dos bispos que os procuravam como assessores,levou a diluir a doutrina católica nas ideologias laicas. Em muitas dioceses eram ignorados ou combatidos os documentos doutrinais do Papa Paulo VI ou da Santa Sé que iam de encontro aos erros principais (sobre o Reino de Deus, a Eucaristia, a sexualidade, a castidade, o celibato sacerdotal, o culto a Nossa Senhora, a vida religiosa, a vocação missionária da Igreja, a autêntica evangelização, a inculturação, etc.).
Não se pode esquecer que eram momentos em que o marxismo parecia avançar no mundo todo de modo irresistível, em marcha triunfal (ninguém previa ou seu afundamento e desmascaramento, no final dos anos oitenta). Daí a teologia da libertação, que queria embarcar a Igreja na utopia marxista, e substituir – na sua defesa de uma nova “Igreja popular”– a santidade pelo engajamento sociopolítico e pela dialética da luta dos “oprimidos”. Daí igualmente a adesão à “crítica histórica” racionalista nos estudos bíblicos. Daí ao desprezo da moral individual em favor damoral coletiva (pecado coletivo versus culpa pessoal), da nova Moral (Häring, Curran, Marciano Vidal, Fuchs, etc.) com a absorção do freudismo, lacanismo, deconstrucionismo, etc.
Realmente, parecia que o importante era ser “ousado”, mesmo que fosse errado. Daí o sucesso do Catecismo Holandês.
Ao mesmo tempo que a oligarquia desse grupo de teólogos ia impondo em seminários e universidades pontifícias as suas teorias como dogmas, descartava ou desprezava os que as criticavam com a virulência de uma Inquisição (apoiada pelo “braço secular” da mídia). É penoso dizê-lo, mas o que nós vimos e vivemos é que todo aquele que não entrava nessa “onda” era silenciado, tornado objeto de crítica áspera, ridicularizado e excluído.
Acabava-se assim numa absolutização da opinião, do “consenso” em sentido laicista(consenso de opiniões mutáveis, que o Cardeal Newman já havia denunciado como o grande perigo para a Igreja) , tanto por parte das doutrinas progressistas como – por reação – dos tradicionalistas. Uns erigiam uma ideologia em dogma; outros defendiam aspectos opináveis ou secundários como se fossem dogmas.
IV. Resgatando o Concílio
Quero insistir em que – como já ficou patente pela exposição anterior – as quatro “fases” de que estou falando não são sequências cronológicas rigorosamente sucessivas. Especialmente esta que chamo “quarta fase” – o resgate do Concílio – deu-se em todas as outras etapas, desde 1962 até hoje, e cresce cada vez mais.
De fato, sempre houve, ao lado da recepção errônea do Concílio, um outro lado, muito positivo, que coexistiu com toda a crise e deu frutos excelentes. É paradigmático, para entender o posconcílio, o discurso natalino de Bento XVI à Cúria romana em 8/12/2005 [pode ser facilmente encontrado no site www.vatican.va, Bento XVI, discursos, ano e mês].
Perguntando-se se havia sido correta a recepção do Concílio, o Papa falava de que houve «duas hermenêuticas contrárias»:
a) a hermenêutica da «descontinuidade e da ruptura», que focalizava o Concílio – como já vimos – como se fosse uma assembleia constituinte, que ia criar uma nova Igreja por votos  E os votos não seriam só os dos Padres conciliares, mas também e sobretudo as opiniões teológicas dos peritos, assessores, professores…
Dizia-se que os documentos do Concílio nada significavam a não ser um «pré-texto», a partir do qual os teólogos exporiam o verdadeiro Concílio: o que importa, dizia-se, não é o magistério conciliar, mas o “espírito do Concílio” (conceito vago, nebuloso, onde qualquer um podia colocar a teoria que bem entendesse, anulando-se assim a objetividade da doutrina do Magistério conciliar).
b) a hermenêutica certa, a «da reforma, da renovação na continuidade».
Dessa segunda hermenêutica, dizia o Papa que «silenciosamente mas de modo cada vez mais visível, produziu e produz frutos». É um fato palpável que essa interpretação «da reforma, da renovação na continuidade», têm dado frutos abundantes desde o começo e ao longo de todo esse período, e está crescendo muito na atualidade.
De fato, em muitos ambientes essa interpretação autêntica é a que está prevalecendo cada vez mais e vai fomentando o novo Pentecostes que os Papas e o Concílio auspiciaram. Basta pensar na quantidade de movimentos, iniciativas, comunidades e entidades eclesiais que, fiéis ao Magistério da Igreja, vêm promovendo – muitas vezes de maneira impressionante – frutos numerosíssimos de conversões, de santidade, de evangelização. Frutos que têm, em grande parte, as suas raízes nos ensinamentos do Concílio, e que se baseiam na doutrina autêntica dos documentos conciliares e na interpretação dada pelos Pontífices.
Como é sabido, duas revistas foram portavozes das duas hermenêuticas:  revistaConcilium, iniciada em 1965, que se apresentava como a autêntica interpretação do Concílio (com Rahner – que tentava sintetizar o idealismo alemão e Heidegger –, Hans Küng, Häring, Schillebeeckx, Boff depois, etc.); e a revista Communio, surgida em 1969, com o desejo de fomentar aprofundamentos teológicos do Concílio, dentro da hermenêutica da reforma na continuidade (com Ratzinger, Henri de Lubac, Louis Bouyer, Hans Urs von Balthassar, Jorge Medina, Gérard Philips, etc.).
Pode-se dizer que é geral esse resgate do Concílio? Não, evidentemente. A atitude mais generalizada por ora é a de continuar, por inércia, na linha da descontinuidade, sobretudo em seminários e universidades pontifícias. Mas já ha sinais claros de uma adesão cada vez maior ao legítimo magistério da Igreja.
Penso que as reminiscências que, bem ou mal,  tentei expor hoje podem ajudar-nos a levar muito a sério o que Bento XVI diz na Carta apostólica Porta fidei de 11/10/2011, com vistas ao Ano da Fé, dedicado ao cinquentenário do Concílio (11/10/2012 a 24/11/2013)debruçar-nos de novo com o máximo interesse nos documentos do Concílio, e no estudo e divulgação acadêmica e pastoral da doutrina do Catecismo da Igreja Católica [e do seu Compêndio] que, no dizer do Papa, «constitui um dos frutos mais importantes do Concílio Vaticano II [...]. Nele, de fato, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história» (Porta fidei, n.11). Este Ano da fé, proclamado pelo Papa, poderá ser uma oportunidade decisiva para o “resgate” do Concílio.
Apêndice
Para completar este testemunho, pedem-me explicitamente experiências pessoais. Como foi que atravessei – perguntam-me – a marola do período conciliar e posconciliar? Não vou responder com detalhe nem entrar em intimidades. Apenas tentarei um resumo esquemático.
Em primeiro lugar direi, porque é um dever de justiça, que – como muitos outros – tive a bênção de atravessar esses anos conduzido pela mão de um santo: São Josemaria Escrivá. Todos os que tivemos a mesma experiência nunca agradeceremos bastante a Deus essa graça.
Como é que São Josemaria nos guiou, como nos orientou? Resumindo muitíssimo, diria:
1) Zelando pela fé: lealdade à fé que, desde há mais de 2000 anos, constitui o “depósito” posto por Deus nas mãos da sua Igreja, e que ela guarda e ensina. Fortaleceu-nos na fé sobrenatural, e especialmente na fé na Igreja, e na fé da Igreja, que pode ter aprofundamentos e desenvolvimentos maravilhosos, sem negar nem alterar nada, mas amadurecendo o conhecimento das verdades “eodem sensu, eadem sententia”, como lembrava faz mais de quinze séculos São Vicente de Lerins.
Providenciou que nos fosse facilitado muito material teológico sério (entre outros, Schmaus, Scheeben, Garrigou-Lagrange, Ludwig Ott, Bartmann…); estudos bons sobre os textos conciliares, esclarecimentos e antídotos contra erros doutrinais, estudos filosóficos e teológicos de altura sobre S. Tomás de Aquino (Manser, Gilson, Pieper, Fabro…).
2) Priorizando  a santidade e a oração: “sem santidade – dizia-nos – não se faz nada, sem oração não se faz nada”. Insistia na necessidade de termos “piedade de crianças e doutrina de teólogos”, e nos ensinava o modo prático de fazê-lo.
3) Levando-nos a uma fé e um amor maior do que nunca pela Eucaristia (“pôr amor onde se produziu um vazio”) e pelo Sacramento da penitência (confissão pessoal frequente).
4) Estimulando e orientando a nossa luta ascética: virtudes, mortificação, penitência, etc.
5) Movendo-nos à obediência fiel a todas as determinações e reformas conciliares, não como se fossem uma página que vira e anula a anterior, mas como nova página do mesmo livro, que o completa e enriquece.
6) Exortando-nos sem cessar à caridade com todos, especialmente, muita fraternidade sacerdotal com os irmãos que não pensam como nós, evitando criticar as pessoas(“antes morderia a língua e a cuspiria”). “Não somos antinada”, repetia. Ensinava-nos a praticar a amizade sincera, o afeto, a compreensão com todos (sem ceder aos erros), para além das divergências ideológicas e pastorais; e a fomentar laços de união entre os padres através de atividades não polêmicas de espiritualidade sacerdotal  (como bem refletiu um artigo de maio do jornal “O São Paulo”, da Arquidiocese do mesmo nome,  intitulado “Obrigado, Padre Manuel!”, a raiz do falecimento do Pe. Manuel Correa, sacerdote do Opus Dei que foi um dos orientadores espirituais dos seminaristas de teologia de São Paulo nos  conturbados anos sessenta, muito querido por todos, porque “sabia querer bem”).
Penso que, nesta última parte, resumi o essencial.
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É bem possível que muitos de vocês não sintonizem com algumas das minhas apreciações sobre os tempos do Concílio e os do posconcílio, que duram até hoje. Expus o que me pediram, tal como eu o vi, o lembro e o vejo agora. Não tive, porém, a pretensão de pontificar. Obrigado.
Pe. Francisco Faus

Santíssima Trindade – Ano C-Por Flávio A.Rosário -Teólogo

 Santíssima Trindade – Ano C

Santíssima Trindade

Depois de ter celebrado os mistérios da Salvação, desde o nascimento de Cristo (Natal) até a vinda do Espírito Santo (Pentecostes), a liturgia propõe-nos o mistério central de nossa fé: a Santíssima Trindade.
Toda a vida da Igreja está impregnada pelo Mistério da Santíssima Trindade. E quando falamos aqui de mistério, não pensemos no incompreensível, mais na realidade mais profunda que atinge o núcleo do nosso ser e do nosso agir.
Mas é Cristo quem nos revela a intimidade do mistério trinitário e o convite para que participemos dele. “Ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt, 11, 27). Ele revelou-nos também a existência do Espírito Santo junto com o Pai e enviou-o à Igreja para que a santificasse até o fim dos tempos; e revelou-nos a perfeitíssima Unidade de vida entre as Pessoas divinas (Cf. Jo16, 12-15).
O mistério da Santíssima Trindade é o ponto de partida de toda a verdade revelada e a fonte de que procede a vida sobrenatural e para a qual nos encaminhamos: somos filhos do Pai, irmãos e co-herdeiros do Filho, santificados continuamente pelo Espírito Santo para nos assemelharmos cada vez mais a Cristo.
Por ser o mistério central da vida da Igreja, a Santíssima Trindade é continuamente invocada em toda a liturgia. Fomos batizados em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e em seu nome perdoam-se os pecados; ao começarmos e ao terminarmos muitas orações, dirigimo-nos ao Pai, por mediação de Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Muitas vezes ao longo do dia, nós, os cristãos repetimos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Meditando sobre a Trindade dizia S. Josemaria Escrivá: “Deus é o meu Pai! Se meditares nisto, não sairás dessa consoladora consideração.
Jesus é meu Amigo íntimo ! (outra descoberta), que me ama com toda a divina loucura do seu coração.
O Espírito Santo é meu Consolador!, que me guia nos passos de todo o meu caminho. Pensa bem, nisso. Tu és de Deus…, e Deus é teu” (Forja, nº2).
Desde que o homem é chamado a participar da própria vida divina pela graça recebida no Batismo, está destinado a participar cada vez mais dessa Vida. É um caminho que é preciso percorrer continuamente.
A Santíssima Trindade habita na nossa alma como num templo. E São Paulo faz-nos saber que o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Cf. Rm 5, 5). E aí, na intimidade da alma, temos de nos acostumar a relacionar-nos com Deus Pai, com Deus Filho e com Deus Espírito Santo. Dizia Santa Catarina de Sena: “Vós, Trindade eterna, sois mar profundo, no qual quanto mais penetro, mais descubro, e quanto mais descubro, mais vos procuro”.
Imensa é a alegria por termos a presença da Santíssima Trindade na nossa alma! Esta alegria é destinada a todos nós , chamado à santidade no meio dos seus afazeres profissionais e que deseja amar a Deus com todo o seu ser; se bem que, como diz Santa Teresa, “há muitas almas que permanecem rodando o castelo (da alma), no lugar onde montam guarda as sentinelas , e nada se lhes dá de penetrar nele. Não sabem o que existe em tão preciosa mansão, nem quem mora dentro dela”. Nessa “preciosa mansão”, na alma que resplandece pela graça, está Deus conosco: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Desde pequenos, aprendemos de nossos pais a fazer o sinal da cruz e chamar a Deus: de Pai, Filho e Espírito Santo.
Assim com toda a naturalidade, estávamos invocando o mistério mais profundo de nossa fé e da vida cristã: Santíssima Trindade que hoje celebramos.
Só Cristo nos revelou claramente essa verdade: Fala constantemente do Pai: Quando Felipe diz: “Mostra-nos o Pai…”, Jesus responde: “Felipe… quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,8).
Jesus promete o Espírito Santo: “Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena Verdade”.
Quando se despede, no dia da Ascensão, afirma: “Ide… e batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”
A contemplação e o louvor à Santíssima Trindade são a substância da nossa vida sobrenatural, e esse é também o nosso fim: porque no Céu, junto de Nossa Senhora – Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo: mais do que Ela, só Deus – , a nossa felicidade e o nosso júbilo serão um louvor eterno ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.
Flávio A. Rosário - Teólogo